O que é um Psicopata ?

por Aaron Algazi *

Iniciando nossa série sobre Engenharia Social precisamos pontuar um tipo de indivíduo que não apenas utiliza os métodos e técnicas de manipulação pessoal e em massa, como deixa um rastro de grande destruição e por vezes muito extenso por onde passa.

A intenção aqui é escrever um artigo que fale a respeito da Psicopatia e de seus portadores, antes de abordarmos qualquer outro assunto ligado à Engenharia Social. Não há pretensão em diagnosticarmos ou analisarmos teorias profundas destes tipos, como psiquiatras e psicólogos, por formação, fazem.

Inclusive, a ALGAZI possui em sua equipe psiquiatras e psicólogos especializados no assunto, os quais auxiliam na âmbito das investigações que fazemos em empresas, associações, e instituições no Brasil e exterior.

Este artigo é completamente original, foi escrito exclusivamente para a ALGAZI, e possui como base a nossa experiência profissional e pessoal, tanto na Auditoria de Sistemas da Informação e na Investigação de Fraudes e Crimes Tecnológicos, quanto em décadas de convivência, estudo, investigação e detecção de tipos manipuladores e psicopatas no decorrer de quase 50 anos. 

O QUE É A PSICOPATIA

A Psicopatia é considerada um distúrbio, não um problema neurológico, psiquiátrico ou psicológico. Suas causas ainda são ignoradas e sua característica primordial é a total ausência de senso moral e de sentimentos. Psicopata é a pessoa que possui este distúrbio. Até o momento não há qualque cura para isto.

Não devemos comparar um psicopata a um manipulador. Se bem que o psicopata utilize técnicas e ferramentas de manipulação, seu mundo interior e seus objetivos são muito diferentes do manipulador clássico. Um manipulador é uma pessoa que se vale de uma ou várias situações para enganar, a fim de conseguir favores ou subtrair dos outros o que deseja, mas que possui todas as características psicológicas humanas. Um psicopata, não.

Algumas vertentes da Psiquiatria e da Psicologia dizem que existem 5 níveis de psicopatia, conforme expresso pela Dra. Ana Beatriz Barbosa Silva no livro “Mentes Perigosas : o psicopata mora ao lado”, que vai daquele que dá golpes em pessoas físicas, até os grandes psicopatas, que enganam povos inteiros ou são assassinos em série.

AUSÊNCIA DE SENSO MORAL

Consideremos a humanidade em geral. Todo o ser humano possui uma bússola interior que aponta para o que é certo ou errado. Este é o senso moral. Independentemente das escolhas e atitudes de uma pessoa, ela sente que está cometendo uma falha ou um acerto. Obviamente grande parte das pessoas não sabe explicar o que é este senso moral. Alguns dizem que é a “voz da alma” ou a “voz do coração”; outras dizem que são os “valores internos”, a “verdade interna” ou o que aprendeu em casa e em sociedade. 

Seja lá qual for a forma de designar o que se passa em seu interior, existem conceitos morais que independem das leis dos países. Um exemplo é : “Tirar a vida de uma pessoa é certo ?”. Há diversas leis referentes ao assassinato, mas num nível absoluto, sente-se que não é certo matar do outro ser humano.

O senso moral também leva o ser humano normal a sentir remorsos e até mesmo a se arrepender de seus pensamentos, palavras e/ou atos. Se estes remorsos ou arrependimentos mudarão a forma de agir da pessoa, isto é outra história, pois depende de cada um, mas mesmo que nada mude há a sensação do erro. Muitas pessoas se afundam nos mais diversos vícios e até mesmo no suicídio para aplacar esta sensação, que se torna tão insistente quanto maior for o erro cometido de acordo com os parâmetros internos. 

Um psicopata NÃO possui esta “verdade interna”. E por não tê-la, toda e qualquer ferramenta que possa usar para atingir seus objetivos, sejam quais forem, ele utiliza, até mesmo se tiver que assassinar alguém a sangue frio. 

AUSÊNCIA DE SENTIMENTOS

Todo o ser humano sente, em maior ou menor grau. Sente amor, raiva, ódio, vergonha, alegria, tristeza… Sentimento faz parte da vida e é expresso das mais variadas formas possíveis. Sentir independe de qualquer classificação, seja país de nascimento, cultura, civilização, cor, raça, credo, gênero,… Os animais sentem. Os humanos sentem. Sentir é estar vivo. Sentimento gera simpatia ou antipatia, com todas as suas reações. 

Os psicopatas NÃO sentem. Não é que eles considerem sentimentos como coisas inferiores, ou outras desculpas que se dá a respeito deles; eles realmente NÃO SENTEM.

PSICOPATAS E VAMPIROS

Quando me perguntam “Com o que se parece um psicopata”, minha resposta sempre é “Com o Drácula escrito por Bram Stroker”. 

Bram Stroker foi um escritor inglês que lançou sua obra prima de gênero gótico “Drácula” em 1897, alcançando gigantesco sucesso pelo mundo e romantizando a antiga figura do “vampiro”.  Em um outro artigo falaremos sobre estes no âmbito da história antiga e medieval, e qual a sua relação com as investigações e os crimes nestas épocas.

Ousamos dizer que Bram Stoker se inspirou em psicopatas famosos, dentre os quais Vlad Tepes, príncipe da Moldávia (atual Romênia), misturando-os com a figura dos vampiros medievais . 

Mas por que comparar um psicopata a um vampiro ? 

  • O vampiro é um predador; os seres humanos são suas presas. / O psicopata idem.
  • O vampiro é um morto-vivo / O psicopata não tem qualquer tipo de senso moral ou sentimento humano.
  • O vampiro observa sua presa antes de mais nada. Não há limite de tempo para sua observação. / O psicopata também.
  • Como predador, o vampiro se utiliza de várias estratégias e camuflagens para se aproximar de suas vítimas e as deixar em situação de impotência, para daí poder se alimentar. / O psicopata também, mas para poder usar suas vítimas ao seu bel-prazer.
  • Um vampiro se apresenta lindo, elegante e muito educado / o psicopata pode parecer um anjo na Terra, até mesmo na postura e na beleza moral e/ou física.
  • O vampiro se alimenta do sangue de suas vítimas / o psicopata se alimenta das emoções de suas vítimas.
  • O vampiro, ao morder uma pessoa pode gera 3 tipos de indivíduos  : um “clone” seu, um zumbi, ou apenas alimento. Tudo dependerá das necessidades dele. O “clone” é alguém que se torna vampiro como ele, e caso algo lhe aconteça assume seu lugar; o zumbi não pensa, é apenas um escravo que faz tudo o que o vampiro não quer ou não pode fazer (sair à luz do sol, por exemplo); o alimento é apenas a presa que depois de totalmente sugada morre ou é deixada para morrer. / O psicopata, idem.

Em tempo : estamos falando de vampiros clássicos e não da versão falsamente “romântica” como o Edward da saga “Crepúsculo” o blockbuster de venda para público adolescente. Psicopatas não são românticos e não mudam; podem SE FAZER de românticos, mas esta é apenas uma das estratégias para se aproximarem e adquirirem a confiança de suas vítimas.

ESTRATÉGIAS

Dissemos que um psicopata utiliza de estratégias e camuflagens para arrebanhar suas vítimas. Os psicopatas, repetimos, não possuem sentimentos ou senso moral, mas são MESTRES EM IMITAR SENTIMENTOS HUMANOS. Quando falamos em MESTRES é exatamente o que queremos dizer. Ele simula tão perfeitamente que é praticamente impossível não acreditar que ele seja ou esteja sentindo aquilo.

A primeira grande camuflagem que o psicopata faz é parecer ser alguém bom, confiável e respeitador das leis. Cria à sua volta esta imagem, tanto no contexto familiar, quanto no social e no profissional. Espalha isto e atrai ao seu redor pessoas ver esta camuflagem como real, que possam provar sem qualquer sombra de  dúvida que estas características que ele imita são absolutamente reais. Se mostra ótimo filho, pai, mãe, amigo, parente, sempre ajudando “desvalidos” ou “necessitados”, inteligente e, dependendo do contexto, um sofredor vítima do mundo à sua volta. Este tipo de camuflagem tanto o faz encontrar vítimas para conseguir seus objetivos, quanto o protege de ser descoberto.

Antes de mais nada deixemos claro : o psicopata não se auto-engana. Ele sabe quem é e não vê nenhum problema em ser assim, justificando-se com a máxima : a Humanidade é fraca e medíocre, merecendo ser usada por ele. “O mundo é dos fortes e os fracos nasceram para serem usados ou destruídos.”
Continuando, tudo depende do que ele deseja e do tipo de vítima necessária.

As melhores vítimas para os psicopatas são as pessoas crédulas, inocentes, com grandes valores morais, normalmente obedientes a regras, e preferencialmente que não tenham muitos amigos ou que não tenham uma família muito próxima e preocupada. De acordo com o desejado, se elas forem de grande inteligência intelectual, mas baixa inteligência emocional, melhor ainda.

Por viver num mundo de sentimentos, todo o ser humano é passível de algum tipo de carência : pode ser carência afetiva, financeira, baixa autoestima, etc. Uma vez encontrando o alvo certo, o psicopata passa a observá-lo pelo tempo que for necessário (por vezes anos), aprendendo o máximo daquela pessoa, principalmente o tipo de personalidade, quais tipos de carência ela possui e suas reações a determinadas situações e estímulos. 

Do estudo e observação, o psicopata passa para a abordagem. A estratégia é simular perfeitamente dar à vítima aquilo que ela mais deseja. Se amor, ele será o amante mais apaixonado do mundo; se a carência é financeira, dar-lhe algumas “migalhas”; se é carência social, falta de amigos ou família, o psicopata se apresentara como um pai, uma mãe ou um grande amigo, zeloso e preocupado; se é algum tipo de vício, ele irá estimulá-lo pacientemente.

A partir do momento em que ele consegue a confiança da vítima poderá manipulá-la à vontade pois instilará nela uma “cegueira” total. A vítima verá e viverá tão somente aquilo que o psicopata desejar que ela vejam e viva. Em momento nenhum esta vítima terá senso crítico, pois isto é tirado dela paulatinamente. Também lhe será implantada uma série de afirmações subconscientes que impedirão que ela o questione e que reaja a qualquer tentativa de desmascará-lo. Estas reações tanto são psicológicas e emocionais, quanto podem se tornar físicas.

AMBIENTES

Os ambientes onde  tecnicamente mais se encontram psicopatas são os religiosos, empresariais, políticos e associativos. Por que razão ? Pois são locais onde se há um ABSOLUTISMO no comando. Inclusive há grandes empresas que têm a estranha predileção por psicopatas nos mais altos cargos. 

Quando falamos sobre ABSOLUTISMO, estamos nos referindo a estruturas verticais de comando onde um manda (ou um grupo mande) e outros obedecem, de forma que o comando jamais (ou muito dificilmente) possa ser questionado e/ou pague por seus erros. A quantidade dos mandantes deve ser obrigatoriamente MENOR que a dos comandados.

Podem existir psicopatas em ambientes com estruturas horizontalizadas (todos trabalham em equipe, sem que um necessariamente mande) ? Sim, mas é muito mais difícil, a não ser que o psicopata consiga o controle absoluto do grupo e o transforme em uma estrutura verticalizada, mesmo que só internamente (e no exterior o grupo continua passando a imagem original). 

CONCLUSÃO

Procuramos fazer um resumo o mais brevemente possível do que é Psicopatia e de quem são os psicopatas. Urge que mais pessoas saibam disto, pois  “a luz do sol sobre o vampiro” ocorre a partir do momento em que haja conhecimento sobre o assunto, o que automaticamente facilita a descoberta destes seres, diminuindo assim em muito as fraudes e crimes cometidos por eles.

No âmbito das nossas investigações em empresas (e até mesmo em instituições religiosas de tipos diferentes) verificamos que certos colaboradores que cometem fraudes e crimes ou as facilitam não necessariamente são psicopatas, mas podem sim estar sob a influência de algum, que se “oculta nas sobras”, manipulando seus “escravos” à distância, enquanto observa o andamento da situação subrepticiamente. 

Em alguns casos (não tão poucos assim) o psicopata era o pai, ou a mãe ou irmã(o), namorado(a) do autor da fraude, sendo este um colaborador da empresa afetada e um dos 3 tipos gerados pelo “vampiro” : clone, zumbi ou alimento. 

Em outros casos o psicopata era o próprio filho (ou genro, nora, neto) do dono ou um diretor da empresa.

Em casos mais críticos, o próprio dono da empresa (ou líder religioso), ou pessoa de sua confiança direta no local, era o psicopata.

Por isto reiteramos sempre a necessidade das empresas e instituições de contarem com uma consultoria especializada em Engenharia Social, que identifique as personalidades psicopáticas e manipuladoras, e ofereça também palestras, cursos e seminários sobre o assunto, como fazemos na ALGAZI, servindo assim para blindar os demais colaboradores das influências nefastas destes tipos. 

*Aaron Algazi é CEO da ALGAZI  – Information Security & Forensic Technology, Auditor Sênior de Sistemas da Informação e Investigador Especializado em Fraudes e Crimes Tecnológicos, Digitais e Corporativos. 


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